• Marcia Telles

ISSO NÃO É DA SUA CONTA

Para ajudar verdadeiramente o outro, precisamos cuidar de nós mesmos e respeitar os limites daqueles que amamos.


Muita gente me escreve querendo saber como ajudar alguém de quem gosta, como o cônjuge, os pais, o melhor amigo. O objetivo é sempre fazer com que essa pessoa abandone um hábito tido como negativo, ou que adote outro positivo. É ajudar o outro a “melhorar”. Mas, ao tentarmos fazer o outro melhorar, o que, em geral, acontece é criarmos um plano para esse objetivo baseado naquilo que nós acreditamos, e não no que o outro acredita. E qual é a chance de isso funcionar?


De um lado, a pessoa que você ama não quer mudar o hábito que você acredita que ela deveria mudar, para então se tornar a pessoa que você idealiza. Mas, do outro lado, você também não quer mudar o hábito de acreditar que outras pessoas deveriam alterar aquilo que você acha que deveriam. O que aprendi é que só adianta colocar nossa energia para mudar o outro quando este alguém somos nós mesmos. Porque só temos o poder de fazer isso com a gente mesmo. Só que não dá para estar 100% focado em mudar você mesmo se uma parte ainda quer mudar o outro.


Aí, vale observar de onde vem a sua preocupação. É por que o outro está sofrendo em não mudar ou é você que se sente incomodado ao ver o outro sofrer (ou supor que ele passará por isso no futuro)? Percebeu? É sempre sobre você. O nome disso é ego. Mas tudo bem: o que vale é começar a tomar consciência quando dentro de você acontecer esse impulso, esse movimento, essa dinâmica. Assim, da próxima vez que pegar seu ego no pulo, querendo “ajudar” alguém a mudar, pergunte-se: “Eu mesmo, aqui do alto da minha sabedoria sobre “o que é melhor para o outro”, já fiz tudo que poderia fazer para modificar os incômodos da minha vida? (Talvez, inclusive, começando pela vontade irresistível de mudar o outro?!)”.


Caso a resposta seja não, abrace esta missão. Se ama essa pessoa a quem gostaria de ajudar, mude a si mesmo, torne-se mais paciente, compassivo, generoso. Assim, também se tornará a pessoa adequada para ajudar quem tanto ama. E você vai saber quando essa hora chegar: quando a própria pessoa vem até você pedir ajuda. Nesse momento, ela vai participar com você da construção do plano dessa mudança e vai colocar a energia dela junto com a sua nisso. E aí, sim, tem chance de acontecer alguma coisa.


Se para chegar a esse momento a pessoa que você ama tiver que passar por uma fase de sofrimento, tudo bem. Porque faz parte do processo. Fique por perto e escolha ter compaixão ao observar que ela também está agindo e tomando decisões nesse momento com toda a sua capacidade. Acredite na habilidade de quem você ama de sair das próprias enrascadas. E diga isso a ela: “Eu acredito em você”. Essa será sempre a melhor ajuda que você pode dar.






Paula Abreu

#ISSONÃOÉDASUACONTA