• Marcia Telles

Alterações de Personalidade dos Dependentes Químicos



Os dependentes químicos costumam obedecer a um padrão de personalidade ao longo do tempo de dependência. Existem traços e características de comportamento, relacionamento e percepção da realidade comum aos dependentes químicos. Isso não quer dizer que eles fiquem todos com a mesma personalidade, mas que, dentro da individualidade de cada um, eles apresentam características comuns uns com os outros.


. Dificuldade de enfrentar sentimentos: o dependente químico não consegue entrar em contato com seus sentimentos.

  • Distorção da realidade: Justifica os momentos de excesso, como conseqüência de problemas que os outros vem causando. Deturpa a realidade. Acredita que o hábito está ligado ao momento atual de vida.

  • Negação: a negação é o maior obstáculo a ser superado, quando diante do problema da dependência química. A negação aparece no usuário, na família, entre os amigos e até mesmo no ambiente de trabalho. Todos se negam a ver o problema, principalmente o dependente Só quando superada a negação, é que se torna possível atuar de forma eficaz sobre o problema do abuso de drogas.

  • Falta de limites: o dependente químico admite saber seu limite de consumo e de que pode parar quando quiser, colocando os prejuízos num futuro muito distante, que não o atingirá. Existe uma tendência a minimizar o uso.

  • Imaturidade: o dependente químico precisa da droga de acordo com o seu desejo, ela é possuidora de um poder mágico de suprir todas as necessidades, projeta na droga a imagem idealizada.

  • Infantilidade: o desenvolvimento emocional do dependente químico parece estacionar na época em que fez uso pela primeira vez. Apesar dos anos passarem, das pessoas envelhecerem e do mundo girar, o dependente químico sempre continua naquele estado emocional infantil, egoísta, em busca de prazer e reclamando do mundo e de todos esperando apenas a morte e cheio de sonhos irreais, que o levam cada vez mais para longe da realidade.

  • Depressão: as alterações do cérebro, em decorrência de danos causados pelo químico, podem determinar quadros de depressão na dependência química. O mecanismo da drogadicção se encontra na encruzilhada entre a impotência e a depressão, de onde se origina um comportamento impulsivo de ingestão de dada substância, enquanto “droga eleita”.

  • Intolerância a dor: o dependente químico é intolerante ao sofrimento, a dor. O uso de drogas produz um alto nível de auto-estima, mas como não é uma conquista real e sim imaginária, quando passa o efeito a depressão que vem possui características cada vez mais devastadoras para o ego.

  • Megalomania: como o dependente químico vive num mundo irreal, distorcido, seus projetos costumam ser grandiosos e tal como seu mundo completamente irreal. Modificar-se ou modificar a realidade requer tempo, esforço e muitas outras condições. Fazê-lo na fantasia é fácil, imediato e só requer esforços insignificantes. A megalomania é justamente um transtorno psicológico no qual o doente tem ilusões de grandeza, poder e superioridade.Também se caracteriza pela obsessão em realizar feitos e atos grandiosos.

  • Angústia: um dos efeitos da droga é o de diminuir, em certas pessoas, os estados de angústia ou depressão, enquanto que em outras os intensifica perigosamente. A droga tem a finalidade, para o dependente, de eliminar a angústia da frustração.

  • Carência afetiva: o dependente químico tem uma necessidade inesgotável de amor e aprovação, é hipersensível a críticas e lhe falta confiança em si mesmo. Possui uma dependência afetiva exacerbada.

  • Dificuldade em aceitar o NÃO: tem problemas para aceitar, sem conflitos, os fatos, situações ou comportamentos que estejam fora das próprias expectativas ou desejo. Não consegue lidar com o NÃO, ou com resultados inesperados.

  • Satisfação imediata: o dependente químico quer a satisfação imediata do desejo, está sempre sob um sentimento de urgência.

  • Onipotência: o dependente químico se considera invulnerável e imortal. Vive a fantasia grandiosa de vencer a finitude.

  • Desonestidade: o dependente químico mente no trabalho, em casa e com amigos. Dá sempre desculpas para não fazer o que precisa, ou fazer o que sabe que não deve. A mentira é um dos primeiros prejuízos relacionais provocados pela droga. O dependente químico vai perdendo gradativamente os valores éticos e morais.

  • Inadequação: há muita dificuldade de relacionamento social e familiar, com isso, o adicto passa a um isolamento e a um mal-estar vivenciado na relação com as pessoas.

  • Manipulação: esta é a grande arte e habilidade do dependente químico, que tem como objetivo defender e continuar sua dependência. Para isto utiliza várias formas de manipulação: racionalização, responsabilização de terceiros, negação, minimização, rigidez mental, pressões e ameaças.

  • Compulsão: o que caracteriza um dependente químico é a compulsão, ou seja, um desejo incontrolável de usar a substância”. O adicto tem muita dificuldade para controlar o consumo e, com isso, há um aumento na tolerância a drogas.


Fonte: Clínica Grand House

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